Loading...

Panorama da Transparência Legislativa Municipal

O que as bases oficiais do Programa Nacional de Transparência Pública dizem sobre 4.654 câmaras municipais avaliadas no ciclo 2025 — e sobre o motivo pelo qual pontuação alta não garante selo.

Fonte: bases públicas do Radar Nacional da Transparência Pública (ATRICON) — radardatransparencia.atricon.org.br

O selo é decidido pelos essenciais, não pela pontuação

A leitura comum do PNTP é que basta pontuar bem. O dado oficial diz outra coisa, e de forma inequívoca.

No ciclo mais recente, as câmaras de Goiás fecharam com índice médio de 72,9% — patamar respeitável, acima do de vários estados mais bem colocados na percepção geral. Ainda assim, apenas 0,4% delas alcançaram faixa de selo. O motivo está numa única coluna: 0,4% completaram os itens essenciais.

A regularidade se repete estado a estado: o percentual de câmaras com selo acompanha quase exatamente o percentual de câmaras que completam os itens essenciais, e não o índice médio. Não há compensação — pontuar bem no restante não substitui um essencial não atendido.

Estados com índice médio acima de 65% e menos de 10% de câmaras com selo, no ciclo 2025. Em cada um, o percentual com selo acompanha o de essenciais completos.

Como o conjunto evoluiu

Câmaras municipais efetivamente avaliadas em cada ciclo. As não avaliadas ficam fora do cálculo — incluí-las afundaria a média e não mediria desempenho.

CicloAvaliadasCoberturaÍndice médioEssenciais 100%Com selo
2023 3.742 67,3% 55,5% 23,6% 14,3%
2024 3.446 62,0% 61,4% 30,8% 22,8%
2025 4.654 83,8% 65,1% 35,9% 27,0%

O conjunto melhorou: a fatia de câmaras com todos os essenciais atendidos passou de 23,6% para 35,9%, e a cobertura da avaliação subiu junto. Ainda assim, no ciclo 2025 quase dois terços das câmaras avaliadas seguem sem atender ao conjunto completo de itens essenciais.

Onde cada estado chegou no ciclo 2025

Ordenado pelo índice médio das câmaras avaliadas. Só entram estados com pelo menos 30 câmaras avaliadas — abaixo disso, meia dúzia de casos define a posição e o número vira ruído.

#EstadoAvaliadasÍndice médioEssenciais 100%Com selo
1 Pará 141 92,8% 83,0% 83,0%
2 Sergipe 71 92,1% 88,7% 88,7%
3 Tocantins 138 87,2% 81,9% 77,5%
4 Pernambuco 183 85,7% 72,1% 69,9%
5 Rondônia 52 79,8% 78,8% 76,9%
6 Ceará 131 77,1% 69,5% 61,1%
7 Paraná 386 77,1% 44,3% 40,4%
8 Rio Grande do Norte 146 74,4% 47,9% 43,2%
9 Goiás 225 72,9% 0,4% 0,4%
10 Espírito Santo 67 72,7% 6,0% 3,0%
11 Maranhão 142 71,1% 39,4% 37,3%
12 Mato Grosso 142 69,9% 41,5% 36,6%
13 São Paulo 591 66,8% 45,3% 24,7%
14 Paraíba 107 64,5% 42,1% 27,1%
15 Rio Grande do Sul 351 63,7% 36,2% 25,1%
16 Rio de Janeiro 91 59,7% 24,2% 14,3%
17 Santa Catarina 225 57,3% 27,1% 23,1%
18 Mato Grosso do Sul 79 56,1% 26,6% 13,9%
19 Minas Gerais 777 52,4% 18,7% 2,3%
20 Bahia 203 51,3% 16,3% 5,9%
21 Alagoas 71 49,4% 2,8% 0,0%
22 Piauí 224 40,9% 1,3% 0,9%
23 Amazonas 61 25,6% 9,8% 3,3%

Fora do recorte por amostra inferior a 30 câmaras avaliadas: AC, AP, RR.

Minas Gerais: um estado que entrou no programa em 2025

Minas Gerais reúne o maior conjunto de câmaras municipais do país. No ciclo anterior, 55 delas haviam sido avaliadas (6,4% do estado). No ciclo 2025 foram 777, ou 91,2%. O estado entrou de fato no programa agora.

Com índice médio de 52,4% contra 65,1% da média nacional, Minas aparece em 19º lugar entre os 23 estados com amostra suficiente. 18,7% das câmaras mineiras avaliadas completaram os itens essenciais, contra 35,9% no país.

A leitura honesta desses números não é "as câmaras mineiras pioraram" — é que centenas delas foram avaliadas pela primeira vez, e o retrato inicial de quem nunca passou pela metodologia costuma ser esse. O que o dado indica é o tamanho do trabalho pela frente, não um julgamento sobre a gestão de nenhuma Casa.

Os itens essenciais que mais reprovam

Percentual de câmaras mineiras avaliadas que falharam em ao menos um item de cada critério essencial, no ciclo 2025.

CritérioItem essencialCâmaras que falharam
11.5 Divulga o Relatório de Gestão Fiscal (RGF)? 64,4%
3.1 Divulga as receitas do Poder ou órgão, evidenciando sua previsão e realização? 59,4%
4.2 Divulga as despesas por classificação orçamentária? 45,4%
4.1 Divulga o total das despesas empenhadas, liquidadas e pagas? 42,8%
1.2 Possui portal da transparência próprio ou compartilhado na internet? 2,2%
1.1 Possui sítio oficial próprio na internet? 1,3%

Base: 778 câmaras mineiras avaliadas. Resposta considerada: a oficial (revisão > validação > autoavaliação).

Um critério tem de quatro a seis itens (disponibilidade, atualidade, série histórica, formato aberto). O PNTP só dá o critério por atendido quando todos os itens estão atendidos — por isso a medida é por Casa que falhou em ao menos um item, e não por item isolado, que diluiria a falha.

Os quatro itens que mais reprovam são todos de natureza orçamentário-financeira, e três deles dependem de alimentação contínua ao longo do ano — não de um documento publicado uma vez. É o padrão de falha de quem trata transparência como evento.

Como estes números foram apurados

Origem
Bases públicas dos ciclos 2023 a 2025 do Radar Nacional da Transparência Pública, baixadas do domínio oficial da ATRICON. Nenhum dado foi raspado de tela.
Recorte
Poder Legislativo, esfera municipal — câmaras municipais.
Universo × avaliadas
Os arquivos trazem todas as 5.557 câmaras do país, com "Não Avaliado" para quem não passou por avaliação no ciclo. Todo indicador aqui é sobre as efetivamente avaliadas; incluir as demais derrubaria a média sem medir desempenho.
Resposta considerada
A consolidada pelo Tribunal — revisão, na falta dela a validação, e só então a autoavaliação. Não é o que a Casa declarou sobre si mesma.
Corte de amostra
O recorte por estado exige pelo menos 30 câmaras avaliadas. Os estados excluídos estão nomeados na tabela.
Quem avalia
A avaliação, o índice e o selo são apurados exclusivamente pelos Tribunais de Contas e pela ATRICON. Esta página reanalisa o resultado oficial já publicado; não avalia ninguém.

O que estes números não dizem

Perguntas frequentes

De onde vêm estes dados?

Das bases públicas do Programa Nacional de Transparência Pública, publicadas pela ATRICON no domínio oficial do Radar. São os resultados das avaliações conduzidas pelos Tribunais de Contas, reanalisados aqui — não há avaliação nossa envolvida.

Por que uma câmara com índice alto pode ficar sem selo?

Porque a integralidade dos itens essenciais é cumulativa ao índice. Falhar num único essencial impede o selo, por melhor que seja a pontuação no restante — e os dados mostram estados inteiros nessa situação.

Por que Minas Gerais aparece abaixo da média?

Porque o estado entrou em massa no programa no ciclo mais recente: a maior parte das suas câmaras foi avaliada pela primeira vez. A média mineira descreve um conjunto que ainda está no primeiro contato com a metodologia, não um conjunto que piorou.

Vocês publicam o resultado de câmaras específicas?

Não. O recorte mais fino aqui é o estado. O resultado individual está no painel oficial do Radar, que é a fonte com valor de verdade.

Estes números valem para o ciclo em andamento?

Não. Referem-se aos ciclos já encerrados e publicados. A matriz muda entre ciclos, então comparações com o ciclo corrente exigem cuidado.

Continue pelo tema

Onde a sua câmara está diante dos critérios do ciclo vigente

O diagnóstico avalia um portal contra a matriz oficial e aponta o que falta, item a item. É uma simulação independente: o índice e o selo continuam sendo apurados exclusivamente pelo Tribunal de Contas e pela ATRICON.

Fazer o diagnóstico